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PENSE NISSO · Episódio 1648

CABOS E LUZES EM UMA CAIXA

13 de Dezembro de 2025 · 4 min

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Sobre o episódio

Cabos e Luzes em uma Caixa

Há cerca de 50 anos, um discurso tornou-se célebre no ambiente do rádio e do telejornalismo americano. Tratava-se da fala do âncora Edward Murrow sobre rádio e televisão. Na época, as transmissões de TV ainda davam seus primeiros passos e suscitavam muitas discussões sobre programação e o objetivo dessa nova mídia.

Murrow falou a uma grande plateia de membros e diretores das principais empresas do setor nos Estados Unidos. Afirmou que, se dentro de meio século historiadores analisassem vídeos das grandes redes americanas, encontrariam provas de decadência, escapismo e alienação das realidades do mundo em que vivemos. Cabos e luzes em uma caixa.

O jornalista expressava seu receio de que o poder do rádio e da TV fosse usado de maneira danosa à sociedade e à cultura. Especialmente sobre a TV, foi ainda mais incisivo. Disse ele: este veículo pode ensinar, iluminar, inspirar, mas só o fará se os seres humanos estiverem determinados a usá-lo para esses fins. Caso contrário, não passa de cabos e luzes em uma caixa.

Murrow acrescentou que havia uma grande batalha, talvez decisiva, a ser travada contra a ignorância, a intolerância e a indiferença. Esta arma, a televisão,  poderia ser útil nessa luta.

Meio século se passou. E como estamos em relação a isso? A televisão passou a fazer parte da vida diária de bilhões de pessoas. Mas será que está sendo utilizada para os fins nobres e idealistas apontados pelo jornalista? Será que colocamos as descobertas da ciência, as facilidades de comunicação e a rapidez no acesso à informação a serviço de nossa evolução moral? Ou, em grande parte, cedemos ao antigo desejo humano de ter cada vez mais?

É importante refletirmos. Deus permite que conquistemos melhorias materiais, nas ciências, na tecnologia, no conhecimento, com um único objetivo: nosso crescimento moral. Esses instrumentos deveriam facilitar nossa vida material para que nos preocupássemos mais com a conquista das virtudes da alma.

A verdade é que nos hipnotizamos pelo entretenimento. Caixa com cabos e luzes, de instrumento, transformou-se em veículo de alienação e escapismo. E assim tem sido com tantas outras conquistas da tecnologia, pois a alma humana ainda permanece vazia e perdida.

Vale a pena repensar tudo isso. Vale a pena perguntar-se se não estamos alimentando uma indústria de inutilidades. A mudança desse panorama depende de cada um de nós: primeiramente como receptores mais exigentes e, depois, como transmissores conscientes, para que todos esses meios de comunicação se tornem veículos do bem.

É tempo de despertar, mudar de canal ou desligar-se das tomadas do mundo, para nos religarmos a Deus e aos nossos objetivos mais elevados.

Pense nisso. Mas pense agora.

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