PENSE NISSO · Episódio 1688
A ULTIMA VIAGEM
29 de Janeiro de 2026 · 4 min
Sobre o episódio
A Última Viagem
Era tarde da noite quando o taxista recebeu o chamado. Ao chegar, ele pensou em buzinar e aguardar. Mas imaginou que alguém que chamasse o taxi tão tarde poderia estar com alguma dificuldade. Saiu do carro, foi até a porta e tocou a campainha.
Uma senhora idosa, pequena, franzina, com um vestido estampado, abriu a porta. Equilibrava-se em uma bengala e, na outra mão, trazia uma pequena valise. Ele olhou para dentro e percebeu que todos os móveis estavam cobertos com lençóis. Ele apanhou a mala e ajudou a passageira a entrar no taxi.
Ela forneceu o endereço e perguntou: Podemos ir pelo centro da cidade? Mas o caminho que a senhora sugere é mais longo, observou o taxista. Não tem importância, afirmou ela, resoluta. Não tenho pressa, desejo olhar a cidade pela última vez. Estou indo para um asilo porque não tenho mais família, e o médico me disse que morrerei em breve.
O taxista, que começaram a dar a partida, desligou o taxímetro. Sutilmente, olhou para trás, fixou nos olhos e perguntou aonde mesmo a senhora gostaria de ir. Ele a levou até um prédio na área central da cidade. Ela mostrou o edifício onde fora ascensorista quando jovem. Depois, foram a um bairro onde ela morou recém casada com seu marido. Apontou mais adiante o clube onde dançou com seu amor muitas vezes.
De vez em quando, ela pedia que ele fosse mais devagar ou parasse em parecia olhar na escuridão, no vazio. Susp irava e olhou. Assim, as horas passaram e ela manifestou cansaço. Por favor, agora estou pronta. Vamos para o asilo.
Era uma casa cercada de alvoreto e, apesar do horário, ela foi recepcionada de forma cordial por dois atendentes. Ela se despediu do taxista. Quanto lhe devo? Nada, disse ele, é uma cortesia. Mas você tem que ganhar a vida, meu rapaz. Há outros passageiros, ele respondeu.
Sensibilizado, a envolveu em um abraço afetuoso. Ela retribuiu com um beijo e palavras de gratidão. Sabe, você deu a esta velhinha um grande presente. Deus o abençoe.
Naquela madrugada, o taxista resolveu não trabalhar mais. Ficou a cismar. E se ele apenas tivesse tocado a buzina duas ou três vezes? E se tivesse recusado a corrida pelo adiantado da hora? E se tivesse querido encerrar o turno de forma apressada para ir para casa?
Deu-se conta da riqueza que é ser gentil. Por vezes, pensamos que grandes momentos são motivados por grandes feitos. Contudo, existem coisas mínimas que representam muito para uma vida. O importante é estar atento, a fim de não perder essas ricas oportunidades de dar felicidade a alguém.
Mesmo que seja um simples passeio pela cidade, uma ida ao cinema, uma volta pelo jardim, um bate-papo num final de tarde, atender um telefonema na calada da noite, estejamos atentos para as coisas mínimas, os gestos quase insignificantes. Eles podem representar para alguém toda a felicidade.
Pense nisso. Mas pense agora.