PENSE NISSO

PENSE NISSO · Episódio 1891

O SAL DA VIDA

03 de Outubro de 2026 · 4 min

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Sobre o episódio

Conta-se que, há muitos anos, viveu um sábio que era seguido por inúmeros discípulos. Certa vez, porque enfrentava dificuldades incontáveis, um desses discípulos o procurou a fim de com ele se aconselhar.

— Mestre, muito estou sofrendo — disse o jovem. — Já não vejo solução para os problemas que me atormentam. Preciso de sua ajuda.

— Pois bem — respondeu o mestre, gentil como sempre. — Caminhe comigo até a cozinha.

Foram os dois conversando, e o discípulo colocou o sábio a par de suas dificuldades. Em seguida, o mestre pediu:

— Meu jovem, traga-me o recipiente no qual guardamos o sal.

O rapaz prontamente obedeceu e entregou ao sábio o que fora solicitado.

Tendo em suas mãos um copo cheio d'água, o mestre disse ao discípulo:

— Pegue um generoso punhado de sal e misture-o neste copo com água. Depois, quero que tome um grande gole.

O aprendiz, ainda que contrariado, obedeceu às instruções.

— Qual o gosto? — questionou o sábio.

— Ruim, muito ruim — respondeu o discípulo, franzindo o rosto.

— Pois bem, continue a caminhar comigo. Vamos ao lago.

E, mais uma vez, foram ambos andando lado a lado até chegarem ao lago. O mestre trouxera consigo o recipiente com sal e, próximo à margem, disse ao discípulo:

— Quero que você pegue um generoso punhado de sal e o jogue no lago.

O jovem obedeceu e, assim que o fez, recebeu nova ordem:

— Agora, abaixe-se e tome um gole da água do lago.

O rapaz, abaixando-se, tomou não somente um, mas muitos goles, pois aquela era uma água muito refrescante.

— E agora, qual o gosto? Sentiu o gosto do sal? — perguntou o mestre.

— Não, de forma alguma. Pelo contrário, essa água foi capaz de matar minha sede — contrapôs o discípulo.

— As dificuldades que enfrentamos na vida são como um punhado de sal diluído. Se você tem suas dificuldades em mãos e as dilui em seu egoísmo, faz o mesmo que diluir o sal no copo d'água e, assim, elas se tornam difíceis de serem superadas. Por outro lado — prosseguiu —, se você as dilui em sua capacidade de aprendizado, é como diluir o sal no lago, e os problemas deixam de existir.

— Restarão apenas — concluiu o mestre — as lições que cada dificuldade carrega consigo e que são as responsáveis por nos fazer avançar no progresso.

Muitos são os que extraem dos problemas e das dificuldades somente o sofrimento. Se vislumbrarmos o panorama de nossas amarguras com os olhos do pessimismo, egoísmo ou orgulho, teremos sempre motivos para nos queixarmos de nossa sorte.

Por outro lado, se contemplarmos tal cenário com a consciência de que nenhuma dor é eterna e de que cada dificuldade é uma oportunidade redentora, tal qual o tombo que, por vezes, machuca, mas que ensina a melhor caminhar, jamais nos queixaremos novamente.

Antes, agradeceremos ao Senhor da vida por mais uma lição.

Pensemos nisso, mas pensemos agora.

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