As mulheres brilham na indústria musical e não é de hoje, mas muita gente lutou para que em pleno 2024 um Grammy Awards fosse dominado pelas artistas femininas
As mulheres brilham na indústria musical e não é de hoje, mas muita gente lutou para que em pleno 2024 um Grammy Awards fosse dominado pelas artistas femininas. Muita água rolou embaixo da ponte e continua rolando: a cada ano, novas marcas são quebradas.
A história da música popular mostra que mulheres das mais variadas origens e com os mais diversos estilos musicais foram estimuladas pela mesma força motriz: criar canções que movessem pessoas e, por consequência, deixassem um impacto duradouro.
15 mulheres que mudaram o jogo da indústria da música:
Dolly Parton
Dolly Parton é uma lenda da música country, conhecida não apenas por sua voz, mas também por seu talento como compositora e empresária. Com uma carreira que abrange décadas, ela conquistou o recorde de mais hits de uma artista feminina na parada de músicas country da Billboard e construiu um império musical com o parque temático Dollywood, demonstrando sua habilidade em transcender os limites da indústria da música.
Áurea Martins
Áurea Martins é uma figura icônica da música brasileira, cuja carreira de mais de 50 anos reflete sua contribuição significativa para o cenário musical do país. Ela surgiu no auge da bossa-nova, uma das únicas cantoras negras da cena dominada por brancos. O que parecia improvável levou a uma trajetória de nove álbuns solo – um indicado ao Grammy Latino -, inúmeras participações em outros discos e um curta metragem sobre sua vida com mais de 21 prêmios (inclusive, o de melhor atriz).
Carole King
Carole King compôs com o então marido, Gerry Goffin, por muitos anos. Durante esse tempo, eles escreveram muitos sucessos juntos, como “Will You Love Me Tomorrow”, “Take Good Care of My Baby” e “Up on the Roof”. No entanto, no início dos anos 1960, King começou a buscar mais controle sobre sua música. Ela sentia que Goffin estava recebendo mais crédito do que ela pelas músicas que escreviam juntos. Ela também estava insatisfeita com a forma como os negócios da dupla eram gerenciados.
Ivy Queen
Como uma das primeiras e únicas mulheres no emergente gênero do reggaeton, Ivy Queen deixou sua marca na indústria da música latina. Sua carreira, que se estende por mais de duas décadas, é marcada por pioneirismo, inovação e empoderamento feminino. Em um gênero dominado por homens, Ivy se consolidou como uma força a ser reconhecida. Seu sucesso “Quiero Bailar” falou algo impensável em pleno 2022: nas boates, as mulheres querem dançar sem serem molestadas. Ivy Queen tem esse nome não é à toa: a porto-riquenha é considerada a “Rainha do Reggaeton”, um título que conquistou por seu talento, força e impacto no gênero. Respeitem “La Reina”!
Sister Rosetta Tharpe
Conhecida como a madrinha do Rock and Roll, Sister Rosetta Tharpe foi uma das primeiras artistas a fundir o blues, jazz e gospel, criando um som inovador. Sua habilidade na guitarra elétrica e sexualidade queer a tornaram uma figura única na história da música, desafiando normas sociais e culturais em sua época. Tharpe influenciou muitos grandes artistas do rock and roll, incluindo Chuck Berry, Little Richard, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis. Sua música e estilo ajudaram a moldar o som do Rock and Roll e abriram caminho para muitos outros.
Madonna
Madonna é uma das artistas mais influentes da história da música pop, conhecida por sua reinvenção constante e seu impacto cultural sem precedentes. Sua abordagem provocativa de temas como religião, sexo e feminismo a estabeleceu como uma figura polarizadora na indústria da música, enquanto suas performances icônicas a transformaram em uma das artistas mais populares do mundo. Prova disso é a alcunha de “artista feminina mais bem-sucedida de todos os tempos”, já que Madonna vendeu mais de 400 milhões de discos em todo o mundo, de acordo com o Guinness World Records, acima de nomes como Mariah Carey, Whitney Houston e Beyoncé.
Ella Fitzgerald
Ella Fitzgerald foi uma das maiores cantoras de jazz de todos os tempos, ganhando o título de Primeira Dama da Canção por sua voz única e habilidade incomparável. Além de sua contribuição para o mundo da música, ela lutou contra a discriminação racial como uma artista negra durante a era Jim Crow, estabelecendo um legado de resiliência e excelência musical. Ela foi a primeira mulher negra a se apresentar na Casa Branca, em 1958, e recebeu 14 prêmios Grammy ao longo de sua carreira. Em 1991, foi homenageada com o Kennedy Center Honors, um dos maiores prêmios das artes nos Estados Unidos.
Mariah Carey
Mariah Carey é uma das artistas mais bem-sucedidas da história da música pop, conhecida por seus falsetes sem igual e tino para criar hits nas paradas. Sua capacidade de reinventar-se e manter-se relevante ao longo de décadas solidificou seu lugar como uma das maiores divas da música. Alguns marcos impactantes são o de artista solo com mais singles em primeiro lugar na Billboard Hot 100 (19!), cantora solo com mais álbuns número um na Billboard 200 (cinco) e artista feminina com mais álbuns de Natal vendidos.
Nina Simone
Nina Simone foi uma cantora, pianista e compositora americana que quebrou barreiras raciais e de gênero na indústria musical. Ela era conhecida por sua voz poderosa e seu ativismo político. Simone desafiou o racismo na indústria musical, recusou-se a se submeter à segregação racial dos anos 50 e lutou por igualdade de tratamento. Em 1963, ela se negou a se apresentar para um público segregado em um clube de Nova Orleans. Um ano depois, lançou a música “Mississippi Goddam”, uma poderosa canção de protesto que se tornou um dos símbolos do movimento por direitos civis.
MC Sha-Rock
A MC Sha-Rock é uma figura crucial na história do Hip Hop. Ela foi a primeira mulher a assumir o papel de MC em um grupo, desafiando estereótipos de gênero e abrindo espaço para outras mulheres seguirem seus passos. Sha-Rock é conhecida por suas habilidades de improvisação, ritmo e flow, inspirando diretamente artistas como Queen Latifah, MC Lyte, Lauryn Hill e Missy Elliott. Apesar de não se apresentar com tanta frequência, Sha-Rock continua ativa, palestrando em eventos, educando jovens sobre a história do Hip Hop e incentivando a participação feminina.
Chiquinha Gonzaga
Chiquinha Gonzaga foi uma compositora, pianista e maestrina brasileira que viveu no século XIX e início do XX. Por ser daquela época, tornou-se uma figura pioneira em vários aspectos. Foi a primeira mulher a compor para o teatro nacional, assinando dezenas de peças teatrais; foi a autora da primeira marchinha de carnaval da história, em 1899, com “Ó Abre Alas”; foi a primeira mulher a reger uma orquestra popular no Brasil em pleno 1885; incorporou em suas composições ritmos populares como o choro, o maxixe e o lundu, criando um estilo musical único e inovador.
Sylvia Robinson
Sylvia Robinson foi uma artista, produtora musical e executiva de gravadora. Ela é considerada a “Rainha do Hip Hop” por seu papel fundamental no desenvolvimento e popularização do gênero. Sylvia fundou a Sugar Hill Records em 1979, primeira gravadora dedicada ao Hip Hop e responsável por lançar “Rapper’s Delight”, do Sugarhill Gang, e “The Message”, do Grandmaster Flash and the Furious Five. Sylvia inclusive produziu “Rapper’s Delight”, ajudando a apresentar o Hip Hop a um público mais amplo.
Liniker
Liniker é uma referência na música brasileira, destacando-se como uma das primeiras artistas transgênero do país a ganhar reconhecimento internacional ao vencer o Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira em 2022. Este marco histórico não apenas celebra sua habilidade artística, mas também representa um avanço significativo na representatividade e visibilidade da comunidade LGBTQ+. Tudo graças à sua sonoridade, uma mescla de soul, R&B e música brasileira que não tem paralelos na cena atual.
Elza Soares
Poucos artistas são reconhecidos por seus mínimos traços e características, mas Elza Soares seria reconhecida por qualquer brasileiro com o mínimo desenho da sua silhueta; com o menor sinal da rouquidão da sua voz potente. Isso porque Elza tornou-se símbolo de muitas coisas: da artista suprema que foi; da mulher que supera as violências da vida; e de alguém que usa sua plataforma para não se calar diante das injustiças. Elza Soares bem que avisou: “Mulher do fim do mundo eu sou e vou até o fim cantar”. Sorte a nossa que ela de fato cantou até se fecharem as cortinas.
Jayne County
Jayne County é considerada uma pioneira na música por sua coragem em desafiar as normas de gênero e sexualidade na cena musical underground. Como uma das primeiras artistas trans a ganhar visibilidade na indústria da música, County foi uma figura central na cena punk rock de Nova York nos anos 70, desafiando convenções e promovendo a aceitação da diversidade de identidades de gênero e orientações sexuais.
Todas essas artistas mostram o quanto as mulheres conseguiram avançar no mercado da música, à base de muita resiliência. E continuarão avançando, desafiando paradigmas e incomodando as estruturas vigentes, até que line-ups igualitários e presença nas premiações deixem de ser notícia – e sejam apenas rotineiros.
Fonte: TMDQA!